22 de julho de 2015
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Sobrevivente

Sou Filho de um casal de classe média do interior do Rio de Janeiro, uma família grande de 07 irmãos sendo eu o sexto filho. Uma família com conceitos religiosos rígidos, isso nos garantia um certo tradicionalismo e cumprimentos de condutas morais.

Ainda muito jovem, influenciado por amigos, comecei a usar drogas em festas e shows que frequentava regularmente. Cada vez mais meus relacionamentos eram com pessoas que usavam algum tipo de droga compulsivamente.

Fui envolvido em algumas Gangs que se tornaram uma família pra mim. Brigas e Prisões eram encaradas com naturalidade. Nesta época o vazio espiritual conduziu-me a seitas e religiões politeístas. Em uma destas religiões me tornei um líder pela sensibilidade espiritual que possuía. Geralmente os rituais terminavam em festas regadas a muita droga e álcool. Os anos foram passando e com eles os sonhos.

As decepções foram se acumulando e com elas as angústias de meus pais. Quando me dei conta a sensação de vazio era ainda maior bem como a minha ruína emocional e espiritual. As perdas começaram em minha vida, foram anos e anos querendo me afastar e não conseguia. O medo era meu companheiro. Não acreditava que seria possível minha libertação.

“ Se pois, o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livre.”
(João 8:36)

Uma busca incessante por alívio, me levou a frequentar grupos de ajuda. A descoberta de possuir uma doença física, moral e espiritual nunca me deixou confortável.

“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. ” (Isaías 53:4/5)

Mas, era necessário me aceitar e conviver com a ideia de ser um derrotado. Depois de alguns anos, a resistência acabou e o uso e abuso de drogas tomara novamente seu lugar em minha vida.

Conheci um vendedor de livros cristãos Sr Manoel, era seu nome, um motociclista. Numa manhã veio a minha casa, era notória minha situação de desespero, mas de maneira sutil ele se aproximou e por mais que rejeitasse suas visitas consegui ver nele a paz. Com ele dei os primeiros passos a visitar uma Igreja Cristã. Eu queria muito viver como aquele homem e sua família. A Liturgia me incomodava, não me sentia preparado e resolvi abandonar a Igreja. Eu não me sentia capaz, estava cego, não enxergava a minha verdade.

“nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. (2ª.Coríntios 4:4)

Havia algo diferente em mim.

Foi necessário encarar minha verdade. Decidi então remover os entulhos, construir uma nova história. Os anos passaram e o resgate de minha identidade foi acontecendo naturalmente. Resolvi me comprometer sem reservas comigo mesmo e com Deus. Abandonei as desculpas e fiz uma aliança com Deus. Parei de fazer promessas e aceitei as promessas de Deus.

“Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.”
(João 5:24)

Hoje vivo a verdade do evangelho e o poder transformador de uma relação sincera com Deus. O meu capacete por muitas vezes traz de volta a lembrança de nosso primeiro encontro.

No guidão da minha Moto vejo o cuidado de Deus comigo e as coisas maravilhosas que Ele tem feito em minha vida.

Estar na Casa do Senhor me faz experimentar a presença sobrenatural do Pai Eterno. Reconheço que foi a melhor decisão de minha vida.

Como sobrevivente e com uma vida totalmente restaurada, posso compartilhar com outros que as promessas do Senhor Deus.

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.”
(Jó 42:2)

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