22 de julho de 2015
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Libertando sua mente nos Encontros de Motociclistas

Após alguns anos viajando de moto e participando de muitos eventos promovidos por moto clubes no Brasil e em alguns países vizinhos, confesso que busquei algo que pudesse singularizar seus participantes. Como terapeuta, sempre concordei com a frase “Algumas pessoas fazem Terapia, outras andam de moto”. Sei do potencial de lazer que a motocicleta proporciona a seus amantes, mas não posso dizer que um mesmo indivíduo poderia buscar tal momento de descontração em outras atividades.

Percebi que alguns motociclistas eram oriundos dos mais diferentes tipos de profissão, a maioria casados e com filhos; que viviam o estresse da rotina dos dias úteis e se aproveitavam dos finais de semana para viajar de moto e fugir de alguma coisa. O destino pouco importava. Se perto ou longe, dependia não apenas dos recursos para custear a viagem, mas do desejo de “desaparecer” por alguns dias.

O grito de liberdade tão aclamado refere-se a que tipo de prisão? Seria uma prisão ideológica, conjectural, financeira, pessoal ou familiar? O que seria capaz de prender uma alma livre e “nascida para ser selvagem”?

O problema se agrava exponencialmente quando um quadro como esse se alia a uma dependência química, como o consumo exagerado do álcool. Exemplificando, seria quando o motociclista querendo se livrar de seus problemas pessoais, no trabalho e, sobretudo, com a família busca na estrada e nos eventos um momento de fugir da realidade e consumir bebida alcoólica.

A segunda-feira voltará após chegar de viagem e ela trará de volta os problemas que deverão ser suportados até a próxima sexta-feira. Não há como fugir. Tal como não se pode fugir de um disco de embreagem que se desgastou ou de um pneu vazio. Precisamos resolver os problemas porque passamos e utilizar a experiência na resolução deste para solucionar os vindouros.

Neste intuito, precisamos criar uma forma de oferecer o suporte que o motociclista precisa ao se dirigir a um evento. Vi muitos organizadores oferecerem lavagem das motos, aperto e lubrificação de correntes e até mesmo substituição de pequenas peças em oficinas previamente montadas nas estruturas de seus eventos na busca de saciar a necessidade da motocicleta. Precisamos agora pensar na necessidade do Motociclista que não irá encontrar a solução de seus problemas no fundo do copo de um bar.

Uma das primeiras teorias do estresse, foi a chamada “teoria da luta ou fuga” (fight-or-flight). Segundo essa teoria em situações de emergência o organismo se prepara para “o que der e vier”, um outro tipo de reação é o chamado “busca de apoio” (tend-and-befriend). Essa outra reação ao estresse caracteriza-se pela busca de apoio, proteção e amizade em grupos.

Talvez seja por isso que observamos um sem número de pessoas que nos abordam nos eventos buscando orações e palavras de conforto. Buscam paz em meio às guerras algo doce que possa tirar o amargo de suas vidas. Seu desafio é tornar-se este apoio a seu irmão e não abandoná-lo na estrada. Este é o lema.

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