22 de julho de 2015
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Garupa vazia é brecha de satanás

No início da participação do meu esposo no ministério junto aos motociclistas foi de certa forma um tanto estranha para mim, pois durante muitos anos servimos como missionários da Convenção Batista Carioca, junto aos encarcerados nas prisões da cidade do Rio de Janeiro, doze anos evangelizando no sistema carcerário, esta experiência nos moldou de uma forma fantástica para entender a respeitar as diferenças que encontraríamos neste novo ministério que é a evangelização nas tribos urbanas.

Meu marido saiu da convenção Batista é começou a desenvolver um projeto de evangelização aos motociclistas ele sempre foi motociclista e ao conhecer um ex- integrante de clube muito tradicional da cidade do Rio de janeiro que ele começou a evangeliza-lo e viu que não existia um trabalho que tratasse com esta tribo urbana, existiam alguns clubes de motociclistas perto de nossa igreja e ele começou logo a frequentar estes lugares, meu marido sempre gostou e teve motocicletas, mais eu nunca havia pensado que ele se envolveria com estas pessoas, que na verdade eu nem sabia que existiam.

Sempre gostei de andar de moto com meu marido e e sempre que andava com ele usava as minhas roupas normais, depois da saída dele da convecção ele começou a mudar os hábitos de usar as roupas comuns que se usava na igreja, e o armário dele estava ficando cheio de roupas pretas com escudos e figuras de caveiras; comecei a ficar preocupada o que estava acontecendo com meu marido, será que ele estava deixando os princípios de Deus? Ele agora estava sempre saindo à noite com um grupo de amigos e toda vez que voltava sempre falava das oportunidades de falar de Jesus que estavam acontecendo nos evento e festas promovidas pelos motociclistas, aquilo me deixava preocupada e indagava a Deus se aquilo era da vontade do Pai. Estava acontecendo uma grande mudança na vida dele, casacos de couro, botas, coletes e correntes…

Isso era muito para eu entender, minha cabeça e meu coração estavam confusos. Ele sempre me convidava para sair com ele, e eu pensava logo em uma desculpa para não acompanha-lo; até que certo dia ele me convidou para sairmos é estar em um evento não deu para inventar uma desculpa aquele seria o dia…

Um evento muito grande cheio de motos , pessoas loucas todas cheias de correntes e tatuagens pelo corpo e aquela musica alta que me deixava quase surda, nunca havia estado em local como aquele, e cada vez mais me perguntava o que ele estava fazendo naquele local . O evento era aniversário dos Coyotes da serra moto clube, um evento que estava muito cheio de pessoas que chegavam de todos os lugares, aquele rock pesado parecia que ia estourar meus ouvidos; ao chegarmos meu esposo foi logo recebido pelos novos amigos, ele me deixou bem a vontade para ver as barracas com roupas , calçados, camisas e outras coisas… me senti totalmente deslocada e perdida, depois de um tempo ele voltou e me perguntou se eu estava gostando? O que falar de um local que eu estava detestando?

Naquela hora ele olhou para mim e me perguntou se estava acontecendo alguma coisa e disse:

– Você está passando mal? Eu disse não (o que dizer para não o deixar triste).

Naquele momento um casal estava chegando ao evento, ele com a perna cheia de ferros andando de muletas e em um dos braços estava com gesso, a mulher que estava ao seu lado também estava mancando com uma das pernas usando gesso, os dois vieram em nossa direção com muita alegria e quando chegaram mostravam felicidade por estar junto de meu marido e do rapaz que estava ao nosso lado, não perderam tempo foram logo pedindo aos dois que orassem por eles, pois eles tinham provado um milagre de Deus e estavam se recuperando de um grave acidente que até um padre (no dia do acidente) desejou encomendar o corpo deles achando que os dois tinha morrido e por isso eles queriam agradecer a Deus pelo livramento, eu comecei entender que Deus também poderia estar naquele local tão louco.

A partir desta data meu guarda roupas mudou de cor e o preto e as roupas de couro são parte dominantes e deixei de ser uma senhora patricinha. Hoje eu não saberia viver longe deste ministério, tenho certeza que Deus colocou-nos no meio desta tribo para fazermos a diferença como servos de Deus.

Posso dizer com toda autoridade dada por Deus que a esposa tem um papel importante de estar sempre acompanhando o seu marido nos eventos, por isso tenho como lema a seguinte frase: “nunca deixe a garupa de seu marido vazia por que garupa vazia é brecha para Satanás”.

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