22 de julho de 2015
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Amor a Cristo

O mundo de um garoto de oito anos parece muito simples, a menos que ele seja confrontado com uma realidade. Minha família tinha tradição na igreja, meus irmãos e eu íamos com regularidade aos cultos, participávamos das classes e fazíamos cultos domésticos. Numa série de conferências da Igreja resolvi tomar uma decisão ao lado de Cristo. Levantei minha mão na hora do apelo, mas minha pequena estatura fez com que não fosse percebido pelo pregador.

Voltei para casa muito triste, mas lembrei-me que me ensinaram a falar com Deus em oração. Foi quando curvei-me e pedi a Jesus que fizesse morada em meu coração e fui dormir logo em seguida. Era uma noite escura e chuvosa e aconteceu de me despertar no meio da madrugada com o barulho de um trovão. Na ingenuidade peculiar à maturidade, abri e fechei os olhos sem notar diferença. Não via nada e meus pensamentos de pânico me levaram a crer que estava cego.

Aos prantos comecei a lamentar a frustração de meus projetos. A continuação de meus estudos e a promissora carreira numa oficina de funilaria e pintura de automóveis declinava como as águas da chuva. Cansado de chorar, resolvi descansar e esperar pela aurora quando de repente fui surpreendido por um barulho que vinha da parte externa do quarto. Para minha surpresa e alegria, vi um fósforo se acender e este acender uma vela que alumiava o rosto de meu pai.

A emoção tomou conta de mim. Eu não estava cego e meus olhos tornariam a ver a luz do dia em algumas horas. Aliviado por essa dádiva de poder ver, repousei serenamente e tive um sonho em que me encontrava com Jesus e ele me dizia “Te quero como essa luz”. O que isso significaria só fui entender tempos depois. A diferença que um feixe de luz faz nas densas trevas era algo empírico para mim.

Meu interesse pela Bíblia e pelos cultos aumentou. O batismo veio aos onze anos e aos treze já era um pregador nos cultos dos lares, nas praças e nas igrejas. Fui desafiado a desenvolver projetos de evangelização na escola e depois na faculdade de Psicologia que cursei na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao concluir o curso, fui para o Seminário Teológico e durante o Bacharelado em Teologia, Deus me mostrou o seu propósito.

Convidado a participar de um Encontro Nacional de Motociclistas, o Senhor me fez ver uma multidão aflita e oprimida, que buscava um prazer momentâneo de suas vidas vazias, procurando emoções e fugindo das situações dtifíceis. Sem saber que a resposta para suas vidas era Jesus.

Já tinha um chamado a evangelizar, só precisava saber quem. Não seriam os judeus, mas os samaritanos, ou seja, os excluídos da sociedade uniforme. Passei a confortar os inconformados e a inconformar os confortados. Longe dos padrões de Pastor, alcei o título para pastorear um rebanho igualmente fora dos padrões da igreja, ainda bem. Isto porque

entendi a espiritualidade das ações do Deus que sirvo; que não se guia por vista, mas conhece o desejo do coração do homem.

O mesmo Deus quem me chamou também me capacitou e colocou em mim a condição sine qua non para pregar o evangelho que é a compaixão. O mesmo que sentimento que nasceu no coração do Filho de Deus quando :
“Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas” (Marcos 6:34).

A paixão pelas duas rodas veio por meu amor a Cristo, por querer cumprir o seu “Ide” e por aceitar a missão que Ele colocou em meu coração. O resto foi consequência de algo muito maior, mais reluzente que os cromados, mais forte os motores e mais confiável que a melhor das montadoras. Isso é Cristo em minha vida.

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